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Corrupção corporativa

8 a cada 10 executivos enxergam fraudes nas empresas em que atuam, diz Kroll

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Entre executivos de grandes e médias empresas, 82% afirmam que houve casos de fraudes em suas companhias. Há quatro anos, esse número era de 61%, segundo pesquisa feita pela consultoria de riscos Kroll, com 545 membros do alto escalão de corporações por todo o mundo.

Todos os entrevistados foram questionados sobre possíveis casos de fraude que foram praticados nas empresas onde atuam nos últimos 12 meses. Os três principais tipos de fraude relatadas por eles foram roubo de ativos físicos (29% dos entrevistados), esquemas envolvendo vendedores da companhia, compradores e fornecedores (26%), e ataques à informação (24%).

Já as motivações variam conforme o país e a região em que estão os entrevistados. No Canadá (54%) e na África Subsaariana (33%) a razão mais citada é o maior contato com o público por meios digitais. Já nos EUA (50%), no Oriente Médio (34%) e no Brasil (29%), o motivo mais mencionado foi a complexidade da infraestrutura de tecnologia da informação.

A expansão internacional das empresas é outro fator considerado preponderante para a exposição às fraudes. Essa foi a razão mais apontada pelos executivos brasileiros e colombianos, ambos com 29%, italianos (36%) e indianos (45%).

As questões trabalhistas também acabam influenciando nas fraudes. No Reino Unido (47%), na China (55%) e na Rússia (31%), a principal exposição aos golpes seria a alta rotatividade de funcionários. Há ainda a questão mexicana, pois 45% dos entrevistados citaram a terceirização, interna e externa, como incentivos a fraudes.

Abalo moral
Entre os principais impactos dessas fraudes estão a moral dos funcionários da empresa fraudada, sua segurança interna e sua privacidade (78%); a moral frente ao cliente, incluídas aí a sensação de segurança e privacidade do comprador ou fornecedor em relação à companhia alvo do golpe (73%); a receita e a continuidade dos negócios (75%); além a reputação (71%).

Especificamente sobre a receita, mais da metade dos executivos questionados afirmou que problemas com fraudes podem impactar entre 1% e 3% da receita da empresa. Outros 30% disseram que esse problema afetou menos de 1% dos ganhos, sendo seguidos por 10% dos entrevistados, que disseram ter sentido perdas entre 4% e 6%. Por fim, 3% acham que fraudes empresariais afetam entre 7% e 10% dos rendimentos.

Inimigo íntimo
Outra constatação importante da pesquisa é que a maioria das fraudes só acontece porque há funcionários da empresa envolvidos. Entre os executivos entrevistados, 39% deles afirmaram que os golpes foram praticados com a participação de um empregado do baixo escalão.

Em seguida vêm os funcionários de alto e médio escalão (30% das respostas). Eles são seguidos de perto por ex-funcionários, agentes ou intermediários e temporários ou autônomos, todos com 27%.

Essas respostas levam à outra pesquisa sobre fraudes, mas da KPMG. Nesse levantamento foi constatado que a maioria das fraudes bem sucedidas são praticadas em grupo. Segundo a consultoria, esses golpes duram, em média, cinco anos, e esses grupos  atuam mais frequentemente na América Latina e no Caribe (76%) e na África e no Oriente Médio (74%).

Fraudes setorizadas
Os executivos entrevistados afirmaram que as áreas de atuação com maior risco de fraude são as manufatureiras; de transporte, lazer e turismo; além dos serviços profissionais. Todas essas foram citadas por 96% dos executivos. Em seguida estão bens de consumo e recursos naturais, com 92%; e serviços financeiros (91%).

As motivações para as fraudes variam conforme a área econômica analisada. Por exemplo, o roubo de ativos físicos e o envolvimento de funcionários e parceiros nessas práticas são as causas mais comuns em cadeias de bens de consumo (28%), serviços financeiros (39%), de recursos naturais (30%), serviços profissionais (30%) e transporte, lazer e turismo (30%).

Já a lavagem de dinheiro é mais comum nas cadeias que trabalham com recursos naturais (30%), enquanto as questões regulatórias e as falhas no compliance influenciam com mais frequência nas áreas manufatureira (30%) e de transporte, lazer e turismo (26%). Por fim há o conflito de interesses, que é bem comum quando se atua com commodities (28%) e serviços profissionais (29%).

 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 16 de fevereiro de 2017, 14h36

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