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"Defensores de bandidos"

Jungmann diz que advogados são "pombo-correio" de presos, e OAB critica

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil criticou afirmações do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que responsabilizou advogados pela crise de segurança pública do país. Segundo Jugmann, o cenário atual existe porque alguns defensores com clientes em penitenciárias brasileiras foram cooptados pelo crime organizado e fazem o trabalho de “pombo-correio” para os criminosos.

Ministro da Defesa, Raul Jungmann, discursa sobre envio de Forças Armadas ao Rio.
Clauber Cleber Caetano/PR

O ministro fez as declarações na quinta-feira (27/7), durante conversa com jornalistas para falar sobre o uso das Forças Armadas no Rio de Janeiro para a garantia da lei e da ordem. Na ocasião, ele defendeu o corte nas comunicações entre o que chamou de "crime em penitenciárias" e o "crime nas ruas".

Para Jungmann, as penitenciárias brasileiras se transformaram em home-office de facções criminosas que atuam no país. "Nós temos que cortar essa comunicação. E aí, a sociedade tem que encarar isso. Não dá para continuar tendo, infelizmente, defensores desses bandidos, que, muitas vezes, são cooptados e muitas vezes servem como pombo-correio”, afirmou.

No início de junho deste ano, Jungmann já havia defendido a apresentação de um projeto de lei para autorizar o registro de comunicações entre presos, advogados e familiares dentro dos presídios.

A OAB publicou nota neste sábado (29/7) contra as declarações. “Trata-se de uma cortina de fumaça criada para desviar o foco da absoluta falência do sistema carcerário, que hoje é incapaz de cumprir com sua função principal, que deveria ser punir e ressocializar”, afirma a entidade. 

Para o Conselho Federal, o governo deve cuidar de sua responsabilidade para solucionar problemas, em vez de apontar “de forma irresponsável e leviana o dedo para uma classe profissional”.

Leia a íntegra da nota da OAB:

São lamentáveis as declarações do ministro da Defesa, Raul Jungmann, de colocar sobre os defensores de apenados e acusados a responsabilidade pela crise de segurança pública do país.

Trata-se de uma cortina de fumaça criada para desviar o foco da absoluta falência do sistema carcerário, que hoje é incapaz de cumprir com sua função principal, que deveria ser punir e ressocializar.

Desvia-se o foco de mais um problema estrutural, cuja responsabilidade prioritária de solução é do Estado e dos eleitos para o comando do Executivo, apontando de forma irresponsável e leviana o dedo para uma classe profissional.

Ainda que não fossem de conhecimento público os inúmeros casos de desvios de conduta dos demais atores deste cenário, como por exemplo a corrupção desenfreada que permeia todos os níveis da administração pública, a tarefa dos governantes é gerir a administração com eficiência, e não buscar justificativas para suas omissões atacando genericamente uma classe, que tem a missão constitucional de exercer a defesa dos cidadãos.

Em meio à histórica crise de segurança pública e carcerária vivida pelo Brasil – que já foi inclusive denunciada pela OAB aos organismos internacionais, como a ONU – caberia ao ministro atuar sobre as verdadeiras causas da insegurança pública, ao invés de simplesmente colocar a responsabilidade do problema sobre a advocacia.

Diretoria e Conselho Federal da OAB"

Revista Consultor Jurídico, 30 de julho de 2017, 15h18

Comentários de leitores

8 comentários

Cadê o afastamento e a expulsão?

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Quando um policial é surpreendido praticando crimes, corretamente a OAB vai a publico exigir seus afastamento, procurar secretário de segurança, o presidente o Papa, mas quando a coisa é com advogados tudo muda. Cadê as providências e a indignação contra os advogados de São paulo braço jurídico do PCC que minavam o trabalho da polícia com falsas acusações?

Ministro tem razão.

Drake (Advogado Assalariado - Eleitoral)

De há muito que ser advogado se transformou em ser comparsa de bandido, o que digo com muita tristeza e vergonha. O Ministro tem total razão.

Há que se dar ao respeito

LunaLuchetta (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Para que nós ADVOGADOS não tenhamos que ouvir acusações como essas há necessidade de:
a) a OAB ser dirigida por quem seja "de respeito", isto é, por quem, por seu proceder, seja digno; por quem, por seu proceder, tenha granjeado o respeito de seus pares e público. Isso não ocorre.
b) a OAB puna, com presteza e eficiência, aqueles que se desviam do bom caminho. Isso não ocorre.
Então.....

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