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Identidade psicossocial

Transexuais têm direito de mudar o gênero no registro civil, diz 4ª Turma do STJ

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Todos os transexuais, inclusive os que não se submeteram à cirurgia transgenital, têm o direito de mudar o gênero no registro civil. Assim entendeu a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, nesta terça-feira (9/5), ao reformar decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que negou a alteração do sexo e autorizou apenas um novo prenome a uma pessoa que se identifica como mulher.

Para o colegiado, a identidade psicossocial prevalece em relação à identidade biológica, não sendo a intervenção médica nos órgãos sexuais um requisito para a alteração de gênero em documentos públicos. O voto vencedor foi do relator do caso, ministro Luís Felipe Salomão. O julgamento do recurso especial sobre o tema começou a ser julgado pelo colegiado ano passado, mas foi suspenso por pedido de vista do ministro Raul Araújo. Araújo discordou do relator e ficou vencido na sessão desta terça.

Na visão de Araújo, é responsabilidade do Judiciário “evitar constrangimento social”. “O sujeito vive o gênero ao qual sente pertencer. É indiscutível que referida intervenção cirúrgica não vai além de mudar o aspecto morfológico, sem mudar questão biológicas, genéticas, cromossômicas.” Por maioria, a turma deferiu a mudança do registro.

Para Salomão, à luz do princípio fundamental da dignidade da pessoa humana, o direito dos transexuais à retificação do sexo no registro civil não pode ficar condicionado à exigência de realização da operação de transgenitalização, “para muitos inatingível do ponto de vista financeiro, ou mesmo inviável do ponto de vista médico”. Na avaliação dele, o chamado sexo jurídico não pode se dissociar do aspecto psicossocial derivado da identidade de gênero autodefinido por cada indivíduo. “Independentemente da realidade biológica, o registro civil deve retratar a identidade de gênero psicossocial da pessoa transexual, de quem não se pode  exigir a cirurgia de transgenitalização para o gozo de um direito.”

O caso envolve uma pessoa que se identifica como transexual mulher e quer a retificação de registro de nascimento — tanto a troca de prenome e como da referência ao sexo masculino para o feminino. Ela narrou que, embora nascida com a genitália masculina e tenha sido registrada nesse gênero, sempre demonstrou atitudes de criança do sexo feminino.

Ao acompanhar o voto do relator, a ministra Isabel Galotti, presidente da turma, disse que a aparência externa do autor do pedido não pode ser considerada no pedido de mudança do registro. “O rigor do sexo biológico não se prenderia apenas à visão externa. É uma questão genética.”

RE 1.626.739/RS

*Texto alterado às 23h16 do dia 9 de maio de 2017 para correção e acréscimos de informações.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de maio de 2017, 18h15

Comentários de leitores

4 comentários

É o novo "princípio do falseamento"

Roberto (Estudante de Direito - Civil)

Onde as aparências tomam lugar da realidade. Verdadeira legalização do crime de falsa identidade.

A falsa mudança, abaixo a lei da mordaça

O carinha que mora logo ali (Outros)

Mudar o gênero? Essa é nova, hehehe!
Se nasceu macho, quero ver engravidar e menstruar, produzir o estrogênio, e os seios aumentarem por conta própria, apenas isso!
Se fêmea, cure-se de ejaculação precoce, produza espermatozoide em abundância, não engravide, não menstrue, e não dê leite materno, se é que conseguirá!
Quer cortar o bilau? Que corte! Quer ter dois balões pra chamar de seios? Que pague pra ter!
Mas não venham querer forçar a barra na sociedade, fazendo com que viemos a engolir goela abaixo os seus atos globalistas!
Infelizmente, é a libertinagem e banalização do sexo nos tempos hodiernos!

Mudança equivocada

Alan Iago Kistner (Estagiário - Civil)

Acredito que a intervenção cirúrgica deveria ser um requisito, sem dúvidas, pois o gênero não pode ser visto como uma construção social ou teríamos que deixar o modelo biopsicossocial para trás.
Não sou contra a alteração do registro civil mas acredito que quem opte pela mudança tem que, no mínimo, preencher determinados requisitos e parar com meros fundamentos Constitucionais genéricos.
Assim, é franco admitir que está na hora de equiparar alguns direitos trabalhistas se formos considerar o posicionamento desta decisão, como o intervalo antes do início da jornada extraordinária...

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