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Carreiras distintas

Procurador federal aprovado para juiz não tem direito a auxílio-mudança

A alegação de continuidade de vínculo funcional com a União não justifica a concessão de ajuda de custo a um ex-procurador federal nomeado para o cargo de juiz federal substituto em localidade distinta de seu domicílio. A decisão é da 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da 3ª Região.

O magistrado trabalhava como procurador federal em Botucatu (SP) e foi aprovado no XII Concurso Público para Provimento de Cargos de Juiz Federal Substituto da 1ª Região, entrando em exercício na 2ª Vara da Seção Judiciária de Macapá (AP). Em razão de sua mudança de domicílio, ele solicitou ajuda de custo, alegando simetria entre as carreiras da União.

Em primeiro grau, o juiz federal considerou que o vínculo jurídico do autor com a União não foi quebrado com a nomeação e determinou o pagamento de ajuda de custo no valor de um mês de salário ao autor, decisão da qual a União recorreu.

Na Turma Recursal, o juiz federal Herbert Cornélio Pieter de Bruyn Junior, relator para o acórdão, explicou que a legislação é clara no sentido de que tal gratificação é devida somente para casos em que já existe o prévio exercício das atribuições do cargo em determinada sede e a mudança de domicílio ocorre em função de provimento derivado, não havendo previsão de concessão de ajuda de custo para casos de provimento originário na carreira da magistratura.

“A alegação de continuidade de vínculo funcional com a União não merece prosperar, uma vez que se trata de vinculação a poderes, carreiras e orçamentos distintos. Nesse sentido, é certo que a mudança de domicílio decorreu do desligamento do autor com as suas atribuições de procurador, e a alteração de endereço se deu unicamente para atender ao interesse em assumir cargo público alheio à carreira na procuradoria”, afirmou o juiz.

O relator afirmou ainda que uma interpretação excessivamente ampla da lei, além de ofender o princípio da legalidade, pode, inclusive, incorrer em desvio de finalidade. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-3.

Processo 0000666-17.2012.4.03.6319

Revista Consultor Jurídico, 9 de março de 2017, 15h15

Comentários de leitores

1 comentário

Começou mal...

Gabriel Cabral Parente Bezerra (Advogado Autônomo - Tributária)

Não tive a oportunidade de compulsar os autos mas pelo o que se depreende da notícia, e com toda a sinceridade que consigo conjurar em um comentário de internet, está patente o desvio de função. Digo ainda, muito me impressiona que o ex-procurador federal tenha se sagrado vitorioso na 1ª instância.

Ora, quando ele saiu da procuradoria, ele encerrou a relação jurídica que detinha com ela (poder executivo), e iniciou uma outra relação completamente nova, a partir do zero, com o poder judiciário.

São carreiras distintas, regidas por legislações distintas, com empregadores distintos. Acrescentaria até mesmo, propósitos de existência completamente distintos. Tendo em vista a combalida ética e moral públicas, com suas percepções danificadas rente à sociedade brasileira, com dificuldades de explicar jurídica e racionalmente os milhares auxílio não-sei-o-quê e vencimentos acima do teto constitucional cumulado com a prestação de serviço público de qualidade questionável, é lamentável sequer que o procurador tenha tida a audácia de ajuizar essa ação em primeiro lugar.

Não deixa, entretanto, de ser compreensível que ele queira ter pelo menos tentado, tendo em vista a flora jurídico-administrativa exótica que o Brasil possui.

Se ele não quisesse ter se mudado para Macapá, ele que não tivesse prestado concurso para juiz do TRF-1. Afinal, é completamente previsível que alguém que seja bem-sucedido em um concurso de determinado órgão público, tenha que se deslocar para a região em que o órgão exerce jurisdição.

Começou mal.

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