Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Abuso de autoridade

TRF-4 rejeita queixa-crime do ex-presidente Lula contra juiz Sérgio Moro

A 4ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região rejeitou nessa quinta-feira (9/3), por unanimidade, a queixa-crime ajuizada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os filhos, Fábio Luís, Sandro Luís, Luís Cláudio e Marcos Cláudio, contra o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Na sessão, foi levantado o segredo de justiça do julgamento, permitindo que a audiência fosse aberta ao público. Também foi informado pelo relator do processo, desembargador Sebastião Ogê Muniz, que Marisa Letícia Lula da Silva, morta em fevereiro, seria substituída no processo, a pedido da defesa, pelo ex-presidente.

As condutas ilegais de Moro apontadas pelo advogado de Lula e dos filhos dele, Cristiano Zanin Martins, foram o abuso de autoridade, o levantamento do sigilo das ligações telefônicas interceptadas (em 16 de março de 2016) e o mandado de busca e apreensão realizado na casa dos investigados durante a 24ª fase da operação “lava jato”.

Segundo Zanin, Moro teria incorrido em abuso de autoridade ao determinar a condução coercitiva do ex-presidente em 4 de março de 2016 e a busca e apreensão na casa dele e dos filhos. Para o advogado, essa medida só poderia ter sido tomada caso Lula tivesse se negado a comparecer para depor, o que não teria ocorrido. Zanin classificou o ato judicial como “sem fundamento legal, com motivações políticas, promovendo um espetáculo midiático que tinha por objetivo humilhar o ex-presidente”.

O segundo ponto foi o levantamento do sigilo das interceptações, ocorrido em 16 de março de 2016, que tinha entre as ligações uma conversa entre a ex-presidente Dilma e Lula. Conforme Zanin, Moro teria invadido a privacidade de Lula, promovendo uma devassa em sua vida pessoal. Destacou que a conversa dos ex-presidentes teria sido ilegal, pois as investigações já haviam sido interrompidas quando foi feita a gravação.

Defesa de Moro
A mulher de Moro, Rosângela Wolff Moro, atuou como advogada de defesa do magistrado. Ela classificou a queixa-crime como uma tentativa de intimidar o Poder Judiciário e lembrou uma das falas de Lula captada em interceptação na qual o ex-presidente afirmava que os juízes “têm que ter medo”.

Rosângela referiu que Lula tem ajuizado diversas ações cíveis, pedindo indenização contra veículos de imprensa, agentes da Polícia Federal e procuradores do Ministério Público Federal (MPF). “O que se discute aqui é a independência judicial, se os juízes têm liberdade de praticar o Direito ou têm que ficar sujeitos à intimidação”, declarou a advogada.

A procuradora do MPF, Cristiana Dutra, deu parecer pela rejeição da queixa-crime. Ela pontuou que a busca e apreensão não foi dirigida aos “filhos” do ex-presidente, mas aos “sócios”, visto que são investigados por também se beneficiarem do esquema. Cristiana salientou ainda que a condução coercitiva não é medida inédita, sendo “adotada diariamente por magistrados de todo o país, que apenas cumprem sua função junto à sociedade”.

Voto do relator
O desembargador Sebastião Ogê Muniz começou seu voto, explicando que as acusações contra Moro – abuso de autoridade, decorrente da condução coercitiva do ex-presidente, e interceptações telefônicas/levantamento do sigilo — já foram objeto de duas notícias-crime levadas ao MPF por pessoas do povo (processos números 5015109-58.2016.404.0000 e 5019052-83.2016.404.0000). Na ocasião, lembrou, o MPF pediu o arquivamento por atipicidade da conduta, sendo o pedido acolhido pelo tribunal.

Conforme Ogê Muniz, para que novo processo fosse aberto nesse sentido, teriam que existir novas provas, que não foram apresentadas. “Não há justa causa para a propositura da ação penal subsidiária com relação à interceptação telefônica, ao levantamento do sigilo e à condução coercitiva”, afirmou o desembargador.

Quanto ao abuso de autoridade na ordem de busca e apreensão na casa de Lula e dos filhos dele, Ogê Muniz ressaltou que as alegações da defesa de que o ato foi praticado para fragilizar a imagem do ex-presidente não possuem elementos de prova que o assegurem. “Não há qualquer elemento trazido aos autos que demonstre que o juiz Sérgio Moro tenha agido com desvio de finalidade”, disse o desembargador.

Ogê Muniz apontou que o mandado foi devidamente fundamentado, tendo em vista os sinais de que o ex-presidente e os filhos teriam recebido recursos provenientes da Petrobras, por meio do Instituto Lula e de sua empresa de palestras. O desembargador também frisou que na decisão de Moro foram apontados indícios de que as contas do ex-presidente teriam sido pagas pelas empreiteiras acusadas, bem como de que seria o real proprietário do sítio de Atibaia e do apartamento no condomínio Solaris.

Para o desembargador, as investigações da Operação Lava Jato são complexas, exigindo aprofundamento, não sendo possível uma “investigação por meios ordinários”. “A autorização da busca e apreensão era adequada, necessária e imprescindível”, afirmou.

Além do relator, participaram da sessão os desembargadores Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente da 4ª Seção e vice-presidente do tribunal, Victor Luiz dos Santos Laus, Claudia Cristina Cristofani, João Pedro Gebran Neto e Leandro Paulsen. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-4.

Revista Consultor Jurídico, 10 de março de 2017, 12h13

Comentários de leitores

4 comentários

Sr. Sergio Battilani está quase certo

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Não existe nenhuma empresa estrangeira na Lava Jato. É um fato.
Mas não é pelo motivo que o senhor disse.
Dá uma olhadinha, no youtube, no vídeo "O imóvel em que os tucanos guardam a grana viva".
Boa semana !

\"massas incultas"?

Sergio Battilani (Advogado Autônomo)

O Brasil não está quebrado "por causa do Judiciário". E não é esse poder que afasta os investidores internacionais.

Basta ver que NÃO EXISTE NENHUMA EMPRESA ESTRANGEIRA NA LAVA JATO! POR QUÊ? SIMPLES: NENHUMA QUIS PARTICIPAR DESSE PROPINODUTO CHAMADO BRASIL, POIS AS EMPRESAS ESTRANGEIRAS SEGUEM RIGOROSAS LEGISLAÇÕES (CUJA PEQUENA PARTE QUE FOI COPIADA PELO BRASIL POR FORÇA DE TRATADOS INTERNACIONAIS É QUE POSSIBILITOU A LAVA JATO!) QUE ANIQUILARIAM SUAS ATIVIDADES, LHES ARRESTARIAM TODOS OS BENS, E OS COLOCARIAM NA CADEIA POR MUITOS E MUITOS ANOS.

Em diversas questões o Judiciário atrapalha sim, concordo: causa insegurança jurídica, sobretudo quando "julga" politicamente questões tributárias (STF quase sempre em favor do cofre). Causa insegurança jurídica nos julgamentos falhos e sem fundamentação, cada qual com um fundamento, como se fosse possível interpretar infinitamente uma norma em face de casos concretos idênticos.

Mas esse conjunto de operações e processos vulgarmente conhecidos como "lava jato" certamente será um divisor de águas para os crimes do colarinho branco!

Concordo com o comentário abaixo

Gustavo P (Outros)

E mais: tenho certeza de que os juízes brasileiros estão em conluio com a nova ordem mundial, com os illuminati e, pasmem, com os extraterrestres de Andrômeda e de Órion. Que os Avengers nos salvem do Poder Judiciário.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 18/03/2017.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.