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História impressa

Das "Diretas Já" ao massacre do Carandiru, OAB-SP expõe jornais históricos

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Relembrando a explosão da carta-bomba, em 27 de agosto de 1980, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, o presidente da seccional paulista da OAB, Marcos da Costa, iniciou as comemorações dos 85 da entidade: Para prestigiar a classe, a seção São Paulo colocou em exposição as principais capas da história do Jornal do Advogado.

Edição do Jornal do Advogado em exposição na OAB-SP.
ConJur

Os exemplares podem ser vistos no salão principal da OAB-SP, no prédio da Rua Maria Paula, até o dia 28 de abril. Depois, a exposição passará por diversas subseções da entidade em São Paulo. A primeira a receber o material será a de Santos.

“A vontade era de colocar todas as capas, pois todas são importantes, mas não era possível. Então selecionamos as que representaram momentos especiais", complementa, destacando a edição que tratou do massacre do Carandiru. "A primeira entidade a denunciar que houve uma chacina, o maior escândalo do Brasil, e a chegar no presídio foi a Ordem”, disse Marcos da Costa.

Criador do jornal, em 1974, o criminalista Paulo Sérgio Leite Fernandes, conta que o começo da publicação foi singelo, contando com apenas ele, seu colega Cid Vieira de Souza e alguns meninos internados na Febem ajudando no carregamento e organização. “Nós dobrávamos isso a mão, no segundo andar lá da Praça da Sé. Depois arrumamos um motorzinho de costura que dobrava em quatro. Eram 25 mil exemplares no máximo”, relembra o criminalista com um sorriso.

Leite Fernandes destaca também a edição censurada do Jornal do Advogado pela ditadura. A publicação contava os motivos da morte do jornalista Vladimir Herzog, torturado no DOI-CODI por agentes do regime militar. “'O Brasil o Antes e Depois de Herzog' era o título. Eu perdi a última edição que tinha ou a escondi o suficiente para não vê-la mais. Tenho até hoje o rolo de um filme retratando o defunto de Vladimir Herzog. Ninguém mais tem esse material, mas nunca o divulguei em respeito à família.”.

O advogado, que atua há 61 anos na área criminal, ressalta que o caso mudou os rumos do Brasil naquele momento tão obscuro. Em meio às memórias que se misturam à história do Brasil, Leite Fernandes também conta quando a seccional paulista foi alvo de uma falsa notícia de atentado. Segundo ele, à época, eram apenas 18 conselheiros na OAB-SP, e, em uma tarde, durante uma reunião do conselho, os presentes foram informados de que havia uma bomba no prédio.

Ex-presidente da OAB-SP Paulo Leite Fernandes foi o criador do Jornal do Advogado.
ConJur

“Após a notícia ficamos decidindo o que faríamos. Dispensamos todos os funcionários e, quando chegou a hora de deixarmos o prédio, ninguém queria sair. Então decidimos que quem quisesse sair poderia, mas se a bomba não explodisse, teria que pagaria o jantar de todos os que ficassem. Ninguém saiu porque os jantares eram realmente muito caros, pois o pessoal comia e bebia muito bem”, brinca.

Para Luiz Flávio Borges D’Urso, ex-presidente da OAB-SP e conselheiro federal da entidade, a exposição é muito importante, porque mostra o que a OAB e a advocacia enfrentaram ao longo dessa história. “Por outro lado, mostra também que os problemas atuais são recorrentes, e isto serve de alerta, porque nós precisamos atuar permanentemente diante dos desafios que se apresentam à toda a sociedade.”

Gisele Fleury, secretária-geral adjunta da OAB-SP, classificou o momento como especial e reforçou que, mesmo após 85 anos de história, ainda são muitos os desafios. “Quando vemos essa história linda que a advocacia trouxe para o país, os bons trabalhos realizados por meio da Ordem e da advocacia nos dá muito orgulho.”

Confira algumas das capas do Jornal do Advogado expostas no salão da OAB-SP:

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 20 de março de 2017, 20h43

Comentários de leitores

3 comentários

Ferocidade III (continuação)

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

que ficavam espantados ao verem as sevícias de que estavam salpicadas as costas do paciente
que os dentes incisivos e presas da mandíbula superior foram quebrados
que os dentes incisivos e presas da mandíbula inferior estavam no mesmo estado
Concluíram os peritos que o ferimento não é mortal; que a ofensa física nos dentes foi feita por uma torquez, e que as sevícias das costas foram produzidas por bacalhau; que houve mutilação dos dentes; que houve destruição dos dentes; que há inabilitação de membro ou órgão; que há deformidade; que há grave incômodo de saúde; e, finalmente, que o dano causado é de valor irreparável.
À vista disto, aconselhar energia às autoridades seria indiretamente ofendê-las. As providências que já têm dado, demonstram que estão no justo empenho de fazer punir este bárbaro atentado. E quanto à hediondez do crime, nada é preciso dizer, basta a leitura destas cenas. (...)

Ferocidade II (continuação)

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Um crioulinho deu-lhe uma cana para comer, e o interrogado aceitou-a e comeu-a.
Seu senhor chegou ao eito, e exasperando-se quis castigá-lo com o tronco e corrente, Atemorizado, fugiu; mas foi aconselhado por diversas pessoas a voltar para a fazenda, prometendo elas que seu senhor não o castigaria.
Voltou, e ao chegar foi recebido por seu senhor, que lhe deu pancada de porrete, prostrando-o por terra.
Depois que o viu caído, seu senhor mandou buscar uma torquez, e com toda a brutalidade, arrancou-lhe quatro dentes superiores da frente.
A vítima gritava desesperadamente com as dores. O senhor, porém, não fez caso dos seus gritos, e com a mesma torquez, quebrou-lhe todas as pontas dos dentes inferiores, dizendo ao ato de praticar o cruel tormento:
_ Com estes dentes você não há de comer mais cana.
O suplício continuaria se a senhora da vítima não interviesse em seu favor, senão com dificuldade atendida pelo carrasco.
Acabada esta cena, foi a vítima metida no tronco por longos dias, e com ferros. Até a data em que foi interrogado, 2 do corrente, ainda sofria dores horríveis e não podia mastigar.
Apesar de ter-lhe sido colocada uma pesada pega de ferroa vítima pode fugir e apresentar-se em Itajubá, pedindo proteção à Justiça. O juiz municipal mandou tirar imediatamente o ferro, pelo ferreiro Jacob Macelli.
A vítima tem o corpo todo assinalado de cicatrizes, muitas das quais provenientes de pauladas, porque com pauladas é que seu senhor castiga habitualmente os escravos.
Foi ordenado o auto de corpo de delito, e os peritos nomeados concluíram o seu trabalho declarando:
que o paciente vinha vestido com uma calça e camisa imundas e rotas que quase o punham descomposto

Aplausos para a OAB/SP !!!

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

A iniciativa da documentação e exposição dos registros históricos da Advocacia é maravilhosa. E deve ampliar-se e ser permanente. Segue abaixo uma singela contribuição e homenagem, uma notícia publicada no jornal " Gazeta de Notícias " em março de 1887, há exatos 130 anos.

" F E R O C I D A D E "

Custar-nos-ia dar crédito ao horrível crime de que vamos dar notícia, se infelizmente cenas desta natureza não fossem por desgraça comuns aos dramas das senzalas, dramas tristíssimos e lúgubres, que ainda alguma estranheza causam quando conhecidos, porque a maioria deles ficam sepultados no âmbito das fazendas em que se dão.
Têm aparecido vítimas barbaramente açoitadas; conhecem-se casos de morte por castigos; contam-se fatos inúmeros contra escravos; mas o crime de que temos notícia, pela frivolidade do motivo e pelo luxo da barbaridade do castigo é pelo menos raro nos anis dos suplícios.
O Dr. Liduardo Rodrigues de Souza, advogado de Itajubá, requereu depósito do escravo Clemente, de Manuel Custódio dos Santos, escravo que havia sido supliciado naquela fazenda.
O depósito foi concedido pelo juiz municipal do termo, e das peças iniciais do processo constam as declarações da vítima, e delas o horrível crime de que se trata.
Depois de declarar nome, condição e profissão, o interrogado disse que fugiu do poder de seu senhor, que é um bárbaro e castiga sem motivo seus escravos, que os tortura com maldade, que não os veste nem lhes mata a fome, tendo em casa todos os instrumentos próprios para suplício e tormentos.
Há dias, estava estava o interrogado trabalhando na roça da fazenda de seu senhor, onde não se respeita nem domingo nem dia santo, e trabalha-se de dia e de noite, mesmo doente.

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