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Áudios compromotedores

Janot pede prisão de ex-procurador Marcelo Miller, Joesley Batista e Saud

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de seu ex-funcionário, Marcelo Miller, do empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, e do ex-lobista da J&F (controladora da JBS) Ricardo Saud. A solicitação foi feita ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, na noite desta sexta-feira (8/9).

O pedido de prisão foi feito porque, segundo a PGR, Joesley e Saud, que são delatores, esconderam do Ministério Público fatos criminosos que deveriam ter sido contados nos depoimentos. A conclusão de que os dois omitiram informações passou a ser investigada pelo órgão na segunda-feira (4/9), a partir de gravações entregues pelo empresário e pelo lobista como forma de complementação do acordo de colaboração premiada.

Janot pediu a prisão de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcelo Miller.

A PGR também suspeita que o ex-procurador da República Marcelo Miller atuou como “agente duplo” durante o processo de delação. Ele estava na procuradoria no período das negociações e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da J&F.

Por meio de sua assessoria, a J&F disse desconhecer até o momento a informação sobre o pedido de prisão de Joesley e de Ricardo Saud.

Na segunda-feira (4/9), Janot anunciou um pedido ao STF para rever benefícios concedidos aos delatores, pois tudo indicava quebra de confiança.

Poucas horas depois do anúncio, feito em entrevista coletiva, a petição foi divulgada à imprensa. Segundo o procurador-geral, foram encontradas gravações de conversas envolvendo Miller de antes de as provas da delação terem sido apresentadas à PGR.

Durante a coletiva, Janot disse que denunciaria “fatos gravíssimos” aos jornalistas, envolvendo inclusive “agentes do Supremo Tribunal Federal”. No entanto, as provas divulgadas às principais redações do país mostram que Joesley e Saud conversavam sobre como usar Miller para convencer Janot a aceitar a proposta de delação que eles pretendiam fazer.

“Nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot”, diz Joesley, em um momento. Em outro trecho, depois de falar de conversas que teve com Miller, ainda como procurador, afirma: “Nós somos joia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou com o Janot: ‘Ô Janot, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos’. E ele já entendeu isso”. A gravação deixa claro que já estava tudo pronto para a delação, mas que Joesley decidiu, após consultar Miller, esperar mais para entregar o material. Com informações da Agência Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 9 de setembro de 2017, 11h18

Comentários de leitores

1 comentário

Decisão, no mínimo, precipitada

DAGOBERTO LOUREIRO - ADVOGADO E PROFESSOR (Advogado Autônomo)

A surpreendentedecisão de Janot de pedir a prisão dos delatores da JBS causa espécie e é, para dizer o mínimo, precipitada.
Surpreendente porque na indigitada fita nada há de comprometedor. Trata-se de comentários que mostram a cautela de ser fazer uma delação de tão grande porte, envolvendo quase 2.000 políticos, entre eles o próprio ocupante da presidência da república.
Falar mal do Supremo? E dai? Como falar bem de um Tribunal que durante 50 anos, com todo o lamaçal que envolve a nossa política, não ousou condenar um único parlamentar? Ou será que só os delatores não podem falar o que pensam de um Tribunal tão dolorosamente omisso?
A precipitação decorre do fato de se ter esquecido as razões que levaram os irmãos Batista e os diretores da JBS a receber imunidade em função do risco de vida que correram e que estão correndo por terem desmascarado as mais altas figuras da nossa republiqueta de velhacos.
Com efeito, é uma inocência considerar que esses políticos torpes, vagabundos e canalhas chegaram ao poder simplesmente comprando votos e corrompendo autoridades: nessa trajetória há toda sorte de crimes, inclusive assassinatos. Nessas condições, Janot entrega Joesley e Saud a seus algozes, tornando-se responsável por tudo que se lhes possa acontecer.
É claramente perceptível que Janot está com medo, não aquele medo que decorre do não cumprimento do dever e de decepcionar sua classe, mas medo mesmo. E tem razão: lidar com criminosos despudorados como esses que estão no poder é para se ter medo, muito medo. Ocorre que sua atitude, como Chefe Supremo de uma instituição tão fundamental acende um sinal de alerta para todos os seus componentes, que, de repente, e na contramão de sua história, poderá tornar-se um valhacouto de coelhos assustados.

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